Abel Manta

Gouveia , 1888 Gouveia , 1982

Finalizados os estudos de Pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1916, Manta teve de esperar o fim da Primeira Guerra Mundial para iniciar a viagem a Paris, realizada em 1919. Aqui conhece Dordio Gomes, com quem manterá uma grande amizade ao longo da vida, sendo possível aproximar os seus percursos plásticos. Durante a estada na capital francesa reactualiza a sua formação naturalista, através da lição de Cézanne, que deixará uma marca importante na sua obra. Paisagens urbanas de Lisboa e naturezas-mortas apoiarão as análises de planos e volumes, veiculados por um cromatismo luminoso. Mas será no retrato que se destaca com uma das melhores soluções plásticas do seu tempo, aliando a captação hábil de psicologias a um dinâmico espaço, onde planos e perspectivas díspares se encontram, e a frieza e suavidade no cromatismo, conciliadas de maneira magistral. No regresso de Paris instala-se no Funchal, como professor de Desenho, actividade que continua entre 1934 e 1958 na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Sendo escassas as suas exposições individuais (1926 e 1965), esteve presente nos Salões da Sociedade Nacional de Belas-Artes desde 1913 e nas Exposições de Arte Moderna do SPN/SNI, representou internacionalmente Portugal na Bienal de São Paulo, de 1955 e na Bienal de Veneza, de 1957, participando ainda com painéis decorativos na Exposição de Sevilha (1929), na Exposição Colonial de Paris (1931) e na Exposição Universal de Paris (1937). Entre os prémios recebidos destaca-se o 1.º prémio de Pintura na I.ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1957.

Maria Jesús Ávila