Alberto Carneiro

Coronado , 1937

Cresceu numa aldeia no norte de Portugal com forte tradição na talha de santos em madeira, sendo neste contexto que se inicia na escultura. Após concluir o curso de Escultura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (1966), recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e fez uma pós-graduação na Saint Martin`s School of Arts, em Londres (1968-1970). As suas primeiras obras são em talha direta em madeira e têm um forte carácter formal. No entanto, os seus trabalhos rapidamente evoluem para pesquisas mais conceptuais. A partir de 1968 começa a actuar no campo de manifestação da Land Art, explorando as ideias de “natureza” e “corpo” e reflectindo acerca da condição do humano na relação ética e estética com o mundo que habita. Nesta altura passa a encarar os seus trabalhos como “arte ecológica”. Nos anos de 1980 realiza esculturas e desenhos em que explora os espaços vazios como algo dinâmico na espacialidade das obras e do corpo. Surge então uma preocupação com o tratamento do espaço real e com o aproveitamento das propriedades expressivas da matéria, dando-se um “regresso” à escultura, não num sentido clássico, mas enquanto acto. Realizou numerosas mostras individuais e participou em importantes certames artísticos internacionais, entre os quais as Bienais de Veneza (1976) e de S. Paulo (1977). Foram realizadas quatro importantes exposições antológicas da sua obra, na Fundação Calouste Gulbenkian e na Casa de Serralves (1991), no Museu Nacional Machado de Castro (2000), no Centro Galego de Arte Contemporânea (2001) e no Museu de Arte Contemporânea do Funchal (2003).

Joana Baião